O chá de cogumelo reishi é seguro? Quais são os riscos potenciais do seu consumo?
O cogumelo Ganoderma lucidum, conhecido popularmente como lingzhi ou reishi, é amplamente utilizado na medicina tradicional chinesa por suas propriedades imunomoduladoras e antioxidantes. No entanto,
O cogumelo Ganoderma lucidum, conhecido popularmente como lingzhi ou reishi, é amplamente utilizado na medicina tradicional chinesa por suas propriedades imunomoduladoras e antioxidantes. No entanto, a preparação caseira de infusões ou decocções — como o “chá de lingzhi” obtido pelo cozimento do cogumelo seco em água — requer atenção especial, pois pode apresentar riscos potenciais à saúde.
Embora seja geralmente bem tolerado em doses moderadas e sob orientação profissional, o uso não supervisionado de lingzhi em forma concentrada ou prolongada pode estar associado a efeitos adversos. Relatos clínicos descrevem casos isolados de hepatotoxicidade, com elevação das enzimas hepáticas (ALT e AST), especialmente em indivíduos com predisposição genética ou com uso concomitante de outros fitoterápicos ou medicamentos hepatotóxicos. Além disso, o lingzhi possui atividade anticoagulante leve devido à presença de triterpenoides, o que pode potencializar o risco de sangramento em pacientes em uso de antiplaquetários (como clopidogrel) ou anticoagulantes orais (como varfarina ou rivaroxabana).
Outros efeitos colaterais relatados incluem distúrbios gastrointestinais — como náuseas, diarreia e desconforto abdominal — além de reações alérgicas cutâneas em pessoas sensíveis. Importa destacar que a qualidade do produto é um fator crítico: cogumelos cultivados em ambientes contaminados podem acumular metais pesados (como cádmio ou chumbo) ou micotoxinas, cuja liberação na infusão representa risco adicional à saúde hepática e renal.
Não há evidências robustas de toxicidade aguda em adultos saudáveis com consumo esporádico e moderado, mas a falta de padronização farmacêutica dos produtos comerciais — variando quanto ao teor de polissacarídeos beta-glucanas e triterpenoides ativos — dificulta a avaliação precisa do perfil de segurança. Por isso, recomenda-se que o uso terapêutico seja sempre conduzido sob supervisão médica, com monitoramento clínico e laboratorial quando indicado, especialmente em gestantes, lactantes, crianças e pacientes com doenças autoimunes, distúrbios hemorrágicos ou comprometimento hepático prévio.