O que é a síndrome das mãos e dos pés após quimioterapia?
O síndrome das mãos e dos pés (HFS), também conhecido como eritema palmoplantar ou toxicidade cutânea induzida por quimioterapia, é uma complicação dermatológica frequente associada ao uso de certos a
O síndrome das mãos e dos pés (HFS), também conhecido como eritema palmoplantar ou toxicidade cutânea induzida por quimioterapia, é uma complicação dermatológica frequente associada ao uso de certos agentes antineoplásicos, especialmente fluoropirimidinas (como o capecitabina e o 5-fluorouracil), inibidores de tirosina quinase (como sorafenibe, regorafenibe e pazopanib) e alguns inibidores da angiogênese. Trata-se de uma reação tóxica caracterizada por eritema, edema, parestesia, dor, descamação e, em casos mais graves, formação de bolhas, fissuras e ulcerações nas palmas das mãos e plantas dos pés — áreas submetidas a pressão mecânica e fricção contínuas.
A fisiopatologia do HFS ainda não está totalmente esclarecida, mas envolve a liberação de citocinas inflamatórias, disfunção endotelial microvascular e acúmulo do fármaco ativo nos queratinócitos das regiões afetadas, potencializado pela alta vascularização e atividade metabólica dessas áreas. Fatores de risco incluem doses elevadas ou esquemas intensivos de tratamento, idade avançada, histórico prévio de lesões cutâneas nessas regiões e uso concomitante de outros medicamentos que possam potencializar a toxicidade.
O diagnóstico é clínico, baseado na história terapêutica e no padrão característico das lesões. A gravidade é classificada segundo critérios da Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE), variando de grau 1 (eritema leve com parestesia ou dor leve) até grau 3 (ulcerações, bolhas extensas ou dor incapacitante que interfere nas atividades diárias). Em casos graves, pode ser necessário ajuste da dose, interrupção temporária do tratamento ou troca de esquema terapêutico.
A abordagem preventiva inclui orientações rigorosas sobre cuidados com a pele: evitar exposição solar direta, usar calçados confortáveis e meias sem costuras, reduzir fricção mecânica (ex.: evitar caminhadas prolongadas ou uso de ferramentas manuais sem proteção), hidratação regular com emolientes sem álcool e, em alguns protocolos, suplementação profilática com vitamina B6 (embora a evidência científica para esta última permaneça controversa). O tratamento sintomático envolve anti-inflamatórios tópicos, pomadas com ureia ou ácido salicílico em concentrações controladas, analgésicos sistêmicos conforme necessidade e, em situações refratárias, intervenções dermatológicas especializadas.
Embora geralmente reversível após a suspensão ou redução da medicação, o HFS pode impactar significativamente a qualidade de vida do paciente e comprometer a adesão ao tratamento oncológico. Por isso, sua identificação precoce, monitoramento contínuo e manejo multidisciplinar — envolvendo oncologistas, dermatologistas e enfermeiros especializados — são fundamentais para garantir a segurança e a eficácia do tratamento anticâncer.