Amigdalite: é seguro beber água com sal diluído?
Em casos de amigdalite — inflamação das amígdalas, geralmente causada por infecções virais ou bacterianas — é comum que pacientes busquem medidas caseiras para aliviar os sintomas, como dor de gargant
Em casos de amigdalite — inflamação das amígdalas, geralmente causada por infecções virais ou bacterianas — é comum que pacientes busquem medidas caseiras para aliviar os sintomas, como dor de garganta, dificuldade para engolir e febre. Uma dessas práticas frequentemente mencionada é o uso de água salgada morna para bochechos.
O bochecho com solução fisiológica leve (cerca de meio colher de chá de sal não iodado dissolvida em 240 mL de água morna) é uma recomendação amplamente respaldada pela evidência clínica. Embora não trate a causa subjacente da infecção, esse procedimento auxilia na redução do edema local, na remoção de secreções e na desinfecção mecânica da mucosa faríngea, proporcionando alívio sintomático significativo.
É importante ressaltar que a ingestão oral de água salgada — ou seja, beber essa solução — **não é recomendada**. A concentração excessiva de sódio pode irritar ainda mais a mucosa já inflamada, comprometer o equilíbrio hidroeletrolítico, especialmente em crianças ou idosos, e potencializar a desidratação, particularmente se houver febre ou diminuição da ingestão oral.
O manejo adequado da amigdalite deve sempre considerar a etiologia: infecções virais são autolimitadas e exigem apenas suporte sintomático, enquanto as bacterianas — especialmente aquelas causadas por *Streptococcus pyogenes* — podem demandar antibioticoterapia específica após confirmação diagnóstica (ex.: teste rápido ou cultura faríngea). Em qualquer cenário, a hidratação adequada com água, chás sem cafeína e soluções reidratantes orais permanece essencial.
Portanto, embora o bochecho com solução salina morna seja uma medida segura e útil no controle dos sintomas, o consumo oral dessa solução não traz benefício clínico comprovado e pode representar risco. Pacientes devem ser orientados a priorizar estratégias baseadas em evidências e buscar avaliação médica diante de sinais de alarme, como febre persistente acima de 38,5 °C, abscessos periamigdalianos, dificuldade respiratória ou desidratação.